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Celebrando a Canonização de São Marcelino Champagnat

 

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16/04/2019: East Timor

 

Ir. Manoel Soares, Timor Leste

Hoje eu celebro com todos os Irmãos e Leigos espalhados pelo mundo o 20º aniversário de canonização de nosso querido Marcelino Champagnat, pai e fundador.

Minha mente fez um exercício de viagem no tempo e voltei aos anos de 1840, aos dias que antecedem à morte de Champagnat. Tento imaginá-lo em seu leito naqueles últimos momentos. Entro no seu pequeno quarto e vejo-o ali, sobre aquela pequena cama, um corpo profundamente abatido, tão frágil, consumido pela doença que devastava seu estômago. Olho para aquele rosto magro, lábios exangues, órbitas afundadas que me dizem que suas carnes foram consumidas por algo muito terrível. Talvez algum tipo de febre estranha estava consumindo aquele corpo sob sua pele pálida, e o tom cinzento da morte se insinuava, como furtiva maré sob águas sombreadas pela luz frágil da lamparina que iluminava o quarto.

Sua respiração é lenta e regular, e uma profunda inquietação paira sobre os rostos ensombrados dos Irmãos que velam seu querido pai e temem um desfecho extremamente doloroso a qualquer momento.

Meu coração também se compunge e extrema emoção toma conta de mim e não posso deixar que as lágrimas desçam abundantemente sobre meu rosto. Ali estava o que restava de um homem forte, um bravo guerreiro de Deus que, durante 23 anos deixou-se consumir literalmente por amor a uma causa. Sim, todas as suas forças, todas as energias físicas e psíquicas foram colocadas a serviço de uma missão que foi a razão do seu viver e existir.

Oh, Champagnat, ao ver-te tão fragilizado e necessitado de mais um auxílio divino, fui tentado imperdoavelmente a me perguntar por que Deus houve por bem de aparentemente te esquecer e te deixar sucumbir sob a força de atroz doença. Por que Deus não poderia vir em teu socorro, como o fez tantas vezes, dar-te a cura e permitir mais alguns anos de vida? Eu sei que é muito difícil saber a resposta, pois é difícil entender o querer de Deus. Mas sei que se tu pudesses dizer alguma coisa, certamente dirias que não tinhas o menor receio em partir para os braços de Deus. Dirias que estavas feliz e agradecido por tudo que fizeste e pela vida de dedicação e amor que viveste, e que uma serenidade beatífica tomava conta do teu coração naqueles últimos instantes.

Sim, a serenidade tomava conta do teu coração, pois sabias que tua vida alcançou o ápice do entardecer e o sol lançou seus últimos raios na purpúrea abóboda do céu como a dizer que tua hora havia chegado. Não, não temias este momento pois estavas certo de que o Infinito somente poderia te acolher num amplexo de ternura e consolação. Do teu rosto, depois da dor, haveria de brotar um suave e cerúleo sorriso de quem vislumbrava as portas do paraíso. Em tua alma não haveria sinal de tristeza, nem nostalgia ignota em teu semblante, muito menos algum hausto de dor por deixares este mundo ingrato e perverso por onde percorreste como andarilho por muitos anos. Muito ao contrário: uma áurea de luz argentina te envolverá e uma profunda paz tomará conta do teu coração, e sentirás um arrebatamento de completa beatitude e júbilo diante da inefável e indizível contemplação do Infinito. Ah, tua alma jubilosa será recebida pelos anjos que tocarão suas trombetas e a glória do Altíssimo te envolverá, e poderá, então, caminhar altiva por entre as miríades de anjos e santos que contemplam a face do Senhor da glória. Ao chegares ao estrado do Trono do Senhor da glória, então te curvarás e ouvirás as mais estonteantes palavras do Senhor de todas as coisas: “Vinde, meu filho querido, para o Reino que te foi preparado desde a fundação do mundo”.

Oh, Champagnat, ainda ali, contemplando aqueles últimos momentos de tua vida, fiquei olhando para teu peito que arfava com certa dificuldade e perguntei-me como ele poderia conter um coração tão grande. Como seria possível um coração com um amor tão intenso que se autoconsumiu totalmente como uma lâmpada que consome a sua última gota de azeite? Como era possível um amor tão profundo aos Irmãos, às crianças, aos jovens, aos doentes, a Deus e à Virgem Maria? Como foi possível que esse amor incendiasse teu coração de tal maneira que queimasse cada uma de suas fibras, dia após dia, sem qualquer resistência, transformando-te em uma oferta viva, santa e agradável a Deus? Não havia nenhuma dúvida: ali estava um homem santo!

Oh, Champagnat, como eu gostaria que meu coração também se inflamasse desse mesmo amor com que amaste a Deus e te entregaste sem reservas ao Instituto e aos teus Irmãos.  Como eu gostaria de poder colher tua última mensagem de conforto e encorajamento para esses tempos difíceis que estamos vivendo agora, muitos anos depois que tu partiste. Eu sei que a maior, a mais profunda e impactante mensagem deixada por ti foi o exemplo de tua vida, a maneira como assumiste o dom de Deus e tudo fizeste para amá-lo e glorificá-lo. Permita-me, ao menos, Champagnat, tocar tuas vestes, como o fez a mulher que tocou a túnica de Jesus e foi curada. E assim, por tua santidade, eu também serei curado, não das minhas feridas do corpo, mas da alma, da minha covardia, das rapinas feitas na minha oferta, do descuido e falta de amor ao ser religioso, do meu medo de entregar-me por inteiro ao que Deus pede mim; serei curado da minha falta de fé e confiança em Jesus, serei curado do meu pequeno amor à Virgem Maria, serei curado da minha incapacidade de amar como tu amaste.

Champagnat, meu querido pai e fundador, infunde em mim e em todos os que a ti recorrem neste dia especial a graça de sermos teus imitadores.

Champagnat, roga por mim!

Marcelino Marcelino Marcelino Marcelino

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