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Marcelino y los jóvenes: ojos atentos, corazón compasivo

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Santidade e processo de canonização de Marcelino Champagnat

 

Subsídios em preparação a celebração da canonização de Marcelino Champagnat
Frederico Unterberger | Lauro Paseto - 1998

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A santidade de Marcelino Champagnat, que a Igreja proclama de forma oficial, nos proporciona horizontes novos de meditação e, ao mesmo tempo, reforça o nosso ânimo nos caminhos da conversão pessoal. A sua vida exemplar, a morte piedosa e a manifestação de santidade depois da morte, conduzem-no agora à glória da canonização, enchendo-nos de alegria.Neste artigo pretendo recordar tópicos relativos ao Fundador, a partir da sua vida e obra, da época de sua doença e morte: algo sobre o sepultamento, as graças alcançadas e o processo de canonização e seu significado na Igreja.

Organização: Ir. Frederico UnterbergerRedação: Ir. Lauro PasetoDiagramação: Secretariado Interprovincial MaristaINTRODUÇÃOA santidade de Marcelino Champagnat, que a Igreja proclama de forma oficial, nos proporciona horizontes novos de meditação e, ao mesmo tempo, reforça o nosso ânimo nos caminhos da conversão pessoal. A sua vida exemplar, a morte piedosa e a manifestação de santidade depois da morte, conduzem-no agora à glória da canonização, enchendo-nos de alegria.Neste artigo pretendo recordar tópicos relativos ao Fundador, a partir da sua vida e obra, da época de sua doença e morte: algo sobre o sepultamento, as graças alcançadas e o processo de canonização e seu significado na Igreja. I - DOENÇA E MORTEA partir de anotações do Ir. Avit, cronista do Instituto nos primórdios, e do Ir. Jean-Baptiste, biógrafo do Fundador, pode ser estabelecida uma cronologia abreviada da evolução da doença de Marcelino Champagnat. 8 de dezembro de 1839O Ir. Avit registrou sensível declínio da saúde do Fundador a partir da viagem que fizera à diocese de Autun, para inaugurar um noviciado do Instituto em Vauban, em antigo castelo. Tal inauguração aconteceu no dia da Imaculada Conceição de 1839, e o texto do Ir. Avit reza assim: “A partir de então, a saúde do estimado Pai apresentava-se bastante debilitada. Seu estômago recusava alimentos sólidos; enfraquecia a olhos vistos. Apesar disso, continuava a levantar-se às 4 horas da manhã, para presidir a missa da comunidade e para ir ao refeitório com os Irmãos, embora na maioria das vezes não tomasse nenhum alimento. Também comparecia nos momentos de recreação e de trabalho. Poucos dias antes de se acamar, quis trabalhar com alguns operários, que debelavam uma parte do rochedo. Embora estivesse fraco e caminhasse com dificuldade, empunhou a picareta com o denodo que lhe era característico e procurou golpear com ardor. Seu esforço durou pouco, porque as ferramentas lhe caíam das mãos, por extrema fraqueza. Os Irmãos e os operários, que haviam insistido para que não se empenhasse naquela tarefa, ficaram comovidos até às lágrimas, e um deles deu-lhe o braço, para sustentá-lo e para encaminhá-lo de volta aos aposentos”.Ano de 184010 de janeiroO Ir. Francisco, na qualidade de Superior Geral (havia sido eleito no mês de outubro de 1839), escreve uma Circular em que pede orações especiais em favor do Fundador, pois “sua saúde inspira sérias preocupações”. 4 de marçoChampagnat sofre forte crise de saúde, com a manifestação de violentas dores na altura dos rins, “dores que não o deixarão mais”…22 de marçoChampagnat faz seu testamento civil. No Cartório de Saint-Chamond, diante do tabelião, Sr. Mioche, foi constituída uma sociedade civil, composta pelos senhores Gabriel Rivat (Ir. Francisco), Jean-Claude Bonnet (Ir. Jean-Marie), Claude Fayol (Ir. Stanislas), Jean-Baptiste Audras (Ir. Louis), Jean-Antoine Pascal (Ir. Bonaventure) e Pierre Alexis Labrosse (Ir. Louis-Marie). Para essa sociedade Champagnat deixou em herança todos os seus bens e posses. “Preocupado com a própria saúde, quis colocar em ordem toda a parte administrativa do Instituto, sobretudo os papéis de posse de imóveis”.13 de abril, segunda-feiraChampagnat faz sua última visita a uma escola dos Irmãos. Apesar de muito fraco, aceitou o convite para celebrar a missa no pensionato da Grange-Payre, na vizinhança de Saint-Chamond. Foi e voltou a cavalo. Aos Irmãos, que insistiam para que não assumisse tal compromisso, respondeu: “Deixai-me ir. Para mim será a última vez. Não posso aguardar outra ocasião para despedir-me daqueles bons Irmãos e dos seus alunos”.30 de abril, quinta-feiraChampagnat preside a cerimônia de abertura do mês de maio. Apesar das dores que sentia, permaneceu na Capela todo o tempo da oração da noite e, na ocasião, pela última vez, deu a bênção aos Irmãos com o SS. Sacramento. “Da maneira como se ajoelhava e olhava para a hóstia consagrada, deduzia-se sua grande fé na presença do Senhor”… No final estava tão cansado que precisou ser ajudado para chegar ao quarto. Ao deitar-se, exclamou: “É o fim; sinto que vou morrer”.3 de maio, domingoChampagnat celebra a missa pela última vez. Pela antiga liturgia, celebrava-se a festa da Santa Cruz. 11 de maio, segunda-feiraChampagnat recebe a Unção dos Enfermos e o Viático. Aconteceu às cinco horas da tarde, na sala da comunidade, em presença dos Irmãos da casa. Estava sentado numa poltrona. No final, após alguns minutos de ação de graças, aproveitou para falar aos Irmãos em termos de despedida: “Meus amigos, estamos reunidos nesta sala pela última vez…18 de maio, segunda-feiraChampagnat faz ler o seu testamento espiritual para um grupo de Irmãos, convocados à sua cabeceira. Os Irmãos Louis-Marie e Francisco, captando as idéias e votos que o Fundador queria expressar, tinham redigido o texto, que ele aprovou, apondo a sua assinatura. “Como é consolador, na hora da morte, o pensamento de termos vivido sob os auspícios de Maria, na sua Congregação”.24 de maio, domingoChampagnat recebe a visita especial de seu Superior religioso, o P. Colin, com quem manteve longo entretenimento. “Morro cheio de respeito, de gratidão e de submissão para com o Superior Geral da Sociedade de Maria”…25 de maio, segunda-feiraChampagnat recebe outra visita especial, a do P. Mazelier. Era o Superior de uma Congregação de Irmãos ensinantes, com sede em Saint-Paul-Trois-Châteaux; e que mantinha contatos com o Fundador desde 1835, visando à fusão dos seus religiosos com os Irmãos Maristas, fato que se concretizou depois, no generalato do Ir. Francisco.1º de junho, segunda-feiraChampagnat recebe a visita de vários sacerdotes amigos, entre eles o P. Thiollière du Treil, pároco em Saint-Chamond, e o P. Janvier, pároco em Saint Julien-en-Jarez6 de junho, sábado, vigília da festa de PentecostesMorte de Marcelino Champagnat. Entrou em agonia às 2 horas da madrugada e, pelas 4h20, quando a comunidade já tinha iniciado as orações do dia com o canto da Salve Rainha, sua respiração tornou-se muito lenta e difícil, preanunciando o desenlace. Imediatamente foi levado aviso aos Irmãos, na Capela, que começaram então as invocações da Ladainha de Nossa Senhora. Durante essa recitação, Marcelino Champagnat expirou. Contava 51 anos de idade e tinha estado 23 anos à frente da obra dos Irmãos. II - SEPULTURA E JAZIGOS8 de junho de 1840, segunda-feiraEnterro de Marcelino Champagnat. A missa de corpo presente foi presidida pelo pároco de Saint-Chamond. Ao todo estavam presentes 21 sacerdotes, dos quais sete eram padres maristas; os outros eram párocos ou coadjutores de localidades vizinhas. Foi sepultado no cemitério particular dos Irmãos, em l’Hermitage. O caixão, de madeira dura, encerrava no seu interior um segundo, revestido de chumbo, contendo o corpo e uma placa metálica com a inscrição: “Ossa J.B.M. Champagnat, 1840”.10 de outubro de 1841No cemitério de l’Hermitage, que tinha sido aumentado e que apresentava nova disposição, a sepultura do P. Champagnat foi aberta, o caixão retirado e deslocado para um novo jazigo, mais evidenciado, preparado junto ao cruzeiro. Ali os seus restos ficaram por quase 50 anos.12 de outubro de 1889Primeira exumação do corpo de Marcelino Champagnat, em conformidade com as exigências do Processo Diocesano da Causa de Beatificação. Nova urna, revestida de placa metálica, tinha sido confeccionada para receber os restos mortais e para servir no translado ao novo jazigo, construído dentro da capela de l’Hermitage. Entretanto, na ocasião, os membros da comissão diocesana constataram muita umidade nos despojos e determinaram que todo o material, antes de ser colocado na capela, permanecesse por certo tempo em algum lugar mais seco. A urna com os despojos foi colocada, então, num dos quartos da casa, mais precisamente, no quarto que era do Ir. Francisco e onde ele havia falecido, em 1881.14 de junho de 1890A urna com os despojos foi colocada na Capela de l’Hermitage. Alguns membros da Comissão Diocesana, que tinham participado da exumação, acompanharam o translado desde o quarto do Ir. Francisco até a Capela. O novo sepulcro ficava quase nos fundos da capela, encostado na parede do lado direito, próximo da entrada principal.21 de março de 1903Leis adversas às Congregações Religiosas dedicadas ao ensino tinham sido aprovadas na França, acarretando a expulsão dos religiosos e a laicização dos prédios e dos bens da Igreja. Para evitar danos ou profanação no jazigo do Fundador, a urna com os despojos foi retirada da capela de l’Hermitage e transportada em segredo para a localidade Maisonnette, distante 8 km de l’Hermitage. Ali foi confiada aos cuidados da família que habitava a casa que tinha sido da família do Ir. Francisco. Embutiram-na numa das paredes da casa, permanecendo devidamente disfarçada atrás de um quadro religioso. Ficou naquele local por quase 18 anos! 1º de dezembro de 1920A urna com os despojos de Marcelino Champagnat foi retirada da casa de Maisonnette e recolocada no jazigo da capela de l’Hermitage. 20 de abril de 1955Segunda exumação oficial dos restos de Marcelino Champagnat. Todo o material foi colocado em nova urna metálica. Em previsão da Beatificação, anunciada para maio daquele ano, e enquanto se aguardava que ficasse pronto o novo altar, que tinha sido projetado para receber as relíquias, a urna provisória foi guardada num dos quartos da casa de l’Hermitage, desta vez no quarto que o próprio Fundador ocupara e onde morreu, em 1840.25 de maio de 1956As relíquias de Marcelino Champagnat foram colocadas na artística urna de bronze esmaltado, encomendada na ocorrência da festa da Beatificação. A partir de então e até os nossos dias, o relicário de Marcelino Champagnat permanece exposto à veneração dos seus devotos, sobre o novo altar lateral da capela de l’Hermitage, conhecido como “altar das relíquias”. III - O PROCESSO DA CANONIZAÇÃOO Ir. Teofânio, quarto Superior Geral, na Circular de fevereiro de 1886, anunciava aos Irmãos sua intenção de introduzir a Causa da Beatificação. Efetivamente, a partir de então, foram tomadas providências concretas: recolher e catologar todos os escritos e anotações sobre o Fundador, selecionar os relatos de graças alcançadas, contatar as autoridades eclesiásticas etc. Tudo pronto, a abertura oficial do Processo de Beatificação e Canonização de Marcelino Champagnat aconteceu em junho de 1888. Desde então até nossos dias passaram-se 110 anos. Embora pareça longo, o tempo deste Processo foi tempo médio, quando comparado com outras Causas de Santos. Se a Canonização acontecer no próximo ano, Champagnat terá sido proclamado santo 159 anos depois da morte!O Processo de Canonização é formado de muitas etapas, que devem ser vencidas sucessivamente. Podemos dizer, de forma muito simples, que tudo se resume em analisar dois níveis de testemunho: aquele dos homens e aquele de Deus. a) Testemunho dos homens.1. Processo Ordinário Informativo.Chama-se ordinário porque a autoridade que institui e que coordena o processo é o ordinário (o Bispo) da região onde o santo viveu. Chama-se informativo porque não define se o servo de Deus é santo ou não, mas apenas recolhe, de testemunhas juramentadas, todas as informações e depoimentos possíveis sobre o santo. Essa fase, para Marcelino Champagnat, demorou quatro anos: de novembro de 1888 a janeiro de 1892.2. Introdução da Causa.O dossiê do Processo Ordinário Informativo, juntamente com os escritos do santo, tudo devidamente sigilado, é entregue na Congregação para a Causa dos Santos, em Roma. Essa, através de órgãos competentes, faz a análise dos escritos e dos ensinamentos do santo. A aprovação da fase anterior, e dos escritos do santo, é feita com a publicação de um decreto pontifício que autoriza a introdução da Causa na corte de Roma, isto é, o Processo passa do nível apenas diocesano para o nível de Igreja universal. (Também se diz: fase apostólica do Processo.) A partir dessa etapa o servo de Deus recebe o título de Venerável. Essa fase, para Marcelino Champagnat, demorou quatro anos: de janeiro de 1892 a agosto de 1896. Foi o Papa Leão XIII quem assinou o Decreto da Introdução da Causa, declarando Venerável o P. Champagnat.3. Validade da CausaO Processo volta à esfera diocesana, mas sob coordenação da autoridade de Roma. São colhidos novos depoimentos sobre a prática das virtudes. Verifica-se o estado de não-culto público e se faz a constatação da fama de santidade do servo de Deus. Superados esses exames, a Congregação para a Causa dos Santos publica o Decreto de reconhecimento da validade da Causa, isto é, permite continuar o Processo, porque apresenta os primeiros elementos básicos. Essa fase, para Marcelino Champagnat, demorou sete anos: de agosto de 1896 a fevereiro de 1903.4. Heroicidade das virtudesLonga etapa, com acurada análise da vida do servo de Deus. O advogado Promotor da Fé (advogado do diabo) que, na realidade, é um verdadeiro servidor da verdade, da ortodoxia e da justiça, levanta dúvidas e objeções, para suscitar esclarecimentos por parte do Postulador, que deve apresentar novos documentos e contraprovas. Três comissões diferentes analisam o dossiê relativo ao santo. Essa fase, para Marcelino Champagnat, demorou 17 anos: de fevereiro de 1903 a julho de 1920. O Papa Bento XV proclamou a heroicidade das virtudes do Fundador com magistral alocução: “Attendite a falsis prophetis” (“Guardai-vos dos falsos profetas”, cfr. vol. XIV das Circulares do Instituto; 15/8/1920)b) Testemunho de DeusAs etapas anteriores, embora rigorosas, são ainda insuficientes para a Igreja. Com prudência e sabedoria ela busca, por assim dizer, a confirmação da parte de Deus. O decreto da Heroicidade das Virtudes, que é a declaração de santidade por parte dos homens, deve ser ratificado com a prova dos milagres5. Etapa da beatificaçãoSão exigidos dois milagres para os casos normais, isto é, para os casos em que, na fase informativa, há testemunhos de visu e de auditu: pessoas que viveram com o santo, ou que são de gerações próximas e que dele ouviram falar. No caso de santos falecidos há muito tempo, quando não há testemunhas contemporâneas, apenas depoimentos provenientes da tradição, a Igreja exige (exigia) mais milagres. Para a Beatificação de Marcelino Champagnat foram apresentados os relatórios de duas curas excepcionais: uma nos Estados Unidos, em 1939, e a outra no Madagascar, em 1941. Após exame sucessivo de três comissões (18 de março, 26 de maio e 16 de novembro de 1954), tais curas foram aceitas como milagres. Depois da aprovação dos milagres, segue-se sempre a fase dos consistórios, quando o Processo, no seu todo, é analisado ainda uma vez. Se o resultado desse último exame indicar boa margem de segurança quanto à não existência de perigo para a fé, para a verdade e para a ortodoxia, então, finalmente, a cerimônia da beatificação fica aprovada. O Decreto emanado do consistório tem o título, em latim: Tuto. Atesta que o Processo é coerente e que foi aprovado. O Decreto “Tuto”, para a Causa de Marcelino Champagnat, foi assinado no dia 19 de maio de 1955. Portanto, essa etapa da beatificação, começada em 1920, durou 35 anos.6. Etapa da canonizaçãoNessa fase, nos processos normais, não referente a mártires, é exigida a constatação de um milagre. O procedimento é sempre rigoroso, com a análise do caso em nível diocesano (na região onde aconteceu o fato) e em nível de Igreja (em Roma). O relato do milagre passa pelo crivo de três comissões: médico-científica, teológica e eclesial, devendo comprovar-se que a cura é inexplicável pelas leis humanas da Medicina, que houve realmente recurso a Deus, por intercessão do Beato, e que, de tudo, resultará a maior glória de Deus e o bem da Igreja. Para a Causa de Marcelino Champagnat foi apresentado o relato da cura do Ir. Heriberto Weber, no Uruguai, em julho de 1976. O fato foi aprovado como milagre pela Comissão médico-científica, em junho de 1997, pela Comissão Teológica, em fevereiro de 1998 e pela Comissão Plenária (Cardeais e Bispos), em junho de 1998. Depois da aprovação do milagre, como na fase anterior, segue-se um consistório, que aprecia ainda uma vez a globalidade do Processo (o tuto). No Processo do Fundador, é essa a peça que ainda está faltando: o Decreto que, finalmente, dará via livre para a Canonização e que definirá a data da cerimônia. Assim, para Marcelino Champagnat, essa etapa da canonização, iniciada em maio de 1955, demorou (até agora) 43 anos. IV - GRAÇAS ALCANÇADASO recurso a Marcelino Champagnat, como intercessor junto de Deus, começou logo depois da sua morte, porque, já em vida, era considerado “homem de Deus”. Os depoimentos da fase informativa citam muitas graças alcançadas nos primeiros anos sucessivos à morte do Fundador. Às vezes há episódios curiosos, como no caso da senhora Louise Malaure, em 1843, e da senhora Marie Larmet, em 1847, que, às escondidas, tiveram que vadear o rio Gier e pular o pequeno muro do cemitério de l’Hermitage, para poderem ajoelhar-se sobre o túmulo do P. Champagnat, porque “tinham fé que seriam curadas”. E realmente o foram: a Sra. Malaure ficou livre de grave lesão intestinal e a Sra. Larmet ficou curada de um mal nas vistas, “que a fazia sofrer há vinte anos”. A mentalidade e as normas de clausura da época determinavam rigorosa proibição, para as mulheres, de entrarem no recinto dos conventos masculinos. Como isso era observado também em l’Hermitage, compreende-se o estratagema das duas senhoras para chegarem até o túmulo de Champagnat. O Ir. Avit, nos Anais do Instituto, fala de Irmãos que, após a morte do Fundador, recorriam a ele com simplicidade, certos da sua poderosa intercessão junto ao Senhor e à Boa Mãe. Uma de suas crônicas é o caso do Irmão Francisco que, certa vez, chegou com muito atraso à localidade de Usson, onde pretendia visitar a comunidade dos Irmãos. Passava da meia-noite, o frio era intenso e havia muita neve. Os Irmãos não sabiam daquela visita, por isso ninguém o estava esperando. Ir. Francisco encontrou o portão da Escola fechado e por mais que batesse ninguém o ouvia. Era fustigado pelo forte vento e pela neve sempre mais intensa. Estava por desistir, quando lembrou-se do P. Champagnat perdido na neve e resolveu invocá-lo com fervor, pedindo ajuda. Naquele momento um dos Irmãos, que dormia, sentiu que o sacudiam, para acordá-lo, e viu o braço de um sacerdote, “porque estava revestido de sobrepeliz, como aquela que usava o P. Champagnat”. Estando bem acordado, a visão desapareceu, mas escutou nitidamente que alguém batia no portão da Escola. Desceu e acolheu o quase enregelado Ir. Francisco…Nas Circulares do Instituto, a partir de 1899 e até o ano de 1958, com bastante freqüência, foram publicadas relações de graças alcançadas, atribuídas à intercessão de Marcelino Champagnat. São centenas de casos, que ilustram a difusão da fama de santidade do Fundador.1. Os milagres oficialmente atribuídos ao P. Champagnata) Cura de câncer no pâncreas e fígado (milagre para a beatificação)Foi agraciada a senhora Giorgine William Grondin, de 57 anos, natural de Winslow, Maine, nos Estados Unidos. Quatro médicos diagnosticaram a doença. Foi operada no dia 5 de setembro de 1939, mas o intervento limitou-se apenas à comprovação de um tumor maligno na cabeça do pâncreas, com ramificações no fígado. Sem poder fazer nada, o chefe da equipe médica deu explicações aos parentes da doente sobre a gravidade do caso, sobre a expectativa de vida, reduzida a poucas semanas e sobre a oportunidade de levá-la de volta para casa, para que tivesse, ao menos, o consolo de morrer rodeada pelos familiares. De um sobrinho, que era Irmão Marista, a Sra. Grondin havia recebido imagem e relíquia do P. Champagnat. Levava-as sempre consigo e estava com elas no dia da cirurgia. Quando foi conduzida de volta para casa pediu para começar uma novena ao Venerável P. Champagnat. A partir da segunda semana do seu regresso, começou a sentir-se melhor e lentamente se restabeleceu. No Natal de 1939 já tinha reassumido todas as atividades normais de dona de casa. Em janeiro de 1946, em depoimento processual, dois dos médicos que tinham atendido a doente, os doutores Goodrich e Chasse, atestaram que não havia resquícios da doença diagnosticada em 1939. A senhora Grondin esteve presente em Roma, em 1955, na cerimônia da Beatificação de Marcelino Champagnat.b) Cura de meningite aguda (milagre para a beatificação)Foi agraciado o jovem Jean-Antoine Ranaivo, que tinha 13 anos de idade e era aluno do Pensionato Marista da cidade de Betafo, em Madagascar. Acusou sintomas de meningite aguda no início de novembro de 1941. Por causa da gravidade da doença foi transferido para um Hospital de maiores recursos, na capital, Antsirabe. Três médicos confirmaram o diagnóstico. A análise do líquido encéfalorraquidiano, feita no dia 12 de novembro, acusou que a infecção já havia atingido nível crítico. Os remédios aplicados não produziam o efeito esperado; a situação era grave. No dia 13 de novembro, à tarde, o chefe da equipe médica autorizou a presença do P. August Mistral à cabeceira do doente, para a Unção dos Enfermos. Naquele mesmo dia o Irmão Diretor da Escola Marista de Antsirabe, que tinha sido informado da gravidade da situação, propôs aos alunos, aos formandos, ao senhor pároco e às Irmãs de uma comunidade religiosa, o início de uma novena ao Venerável P. Champagnat, para obter a graça da cura de Jean Ranaivo. Inexplicavelmente, a partir daquela noite, a febre começou a diminuir e o jovem apresentou melhoras sensíveis, voltando à consciência, perdendo a rigidez da nuca, manifestando apetite e movimentando-se de novo. Os médicos constataram com admiração o desaparecimento dos sintomas da doença mas, por precaução, mantiveram-no hospitalizado ainda por vários dias. Mais tarde, por ocasião do Processo, em 1946, dois médicos da equipe, Armand Laquièze e Maurice Fourcade, atestaram a cura completa do rapaz. Jean-Antoine Ranaivo esteve presente em Roma, em 1955, na cerimônia da Beatificação de Champagnat.c) Cura de histoplasmose pulmonar ( milagre para a canonização)Foi agraciado o Irmão Heriberto Weber, nascido na Alemanha, mas que pertencia à Província marista do Uruguai. Em maio de 1976, quando contava 68 anos de idade, foi-lhe diagnosticado câncer pulmonar bilateral (diagnóstico alterado mais tarde, durante o Processo). Em junho, apesar de hospitalizado em Clínica Especializada, recebendo tratamento adequado, o mal progredia, e seu estado de saúde piorava sempre. No dia 15 de julho, o Ir. Provincial, sabedor da gravidade do caso, enviou um comunicado a todos os Irmãos, aos professores e algumas pessoas amigas dos Irmãos, solicitando uma novena ao P. Champagnat em favor do Ir. Heriberto. Vários médicos, enfermeiros e funcionários da Clínica atestaram que se tratava de um doente em fase terminal, tendo sido até transferido para um quarto reservado aos pacientes em fim de vida. Os parentes do Irmão, na Alemanha, tinham sido avisados do possível próximo desenlace. Quanto à novena, foi feita por várias pessoas, conforme foi testemunhado no inquérito processual. Quando se esperava o pior, houve melhora súbita, entre os dias 25 e 26 de julho. As radiografias do dia 26, comparadas com as anteriores, já não acusavam nódulos nos pulmões. A recuperação foi completa, tanto que, alguns dias depois, o Irmão tinha voltado às suas funções de administrador do Colégio. O exame dessa cura, por parte da comissão médica do Vaticano, foi longo e rigoroso, exigindo um volumoso dossiê de informações e de atestados complementares. A doença do Ir. Heriberto foi reavaliada e diagnosticada como histoplasmose, doença com características semelhantes à do câncer nos pulmões. Apesar da nova caracterização da doença, os médicos da comissão vaticana, diante da evidência do estado clínico gravíssimo do paciente e da sua cura imediata, persistente e sem seqüelas, declararam, em 1997, que se tratava de cura cientificamente inexplicável. No ano seguinte, em junho de 1998, a comissão teológica aceitou a realidade daquela cura como milagre. O Irmão Heriberto faleceu com 80 anos, tendo sobrevivido doze anos à cura miraculosa. Faleceu em 1988, em Montevideu, vítima de acidente de trânsito.

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