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Marcelino Champagnat
 
Cartas enviadas a Champagnat
"S. Marcelino Champagnat: Cartas Recebidas" - 2002
Ivo Antônio Strobino, fms - Virgílio Josué Balestro, fms
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Todas as cartas

Cartas dos Irmãos | Cartas de J.C. Colin | Cartas de Courveille | Cartas de Cattet, Vigário Geral | Cartas de Mazelier | Cartas de Pompallier | Cartas de Douillet | Cartas de Bispos | Cartas de diversas pessoas

 

Pesquisa e compilação dos textos, comentários e explicações: Ir. Ivo Antônio StrobinoTradução dos documentos e revisão do trabalho: Ir. Virgílio Josué Balestro

 

APRESENTAÇÃO

O objetivo principal deste trabalho foi o de compilar e traduzir o conjunto das cartas endereçadas a S. Marcelino Champagnat. Conservaram-se 214 textos, escritos por Irmãos, bispos, sacerdotes, autoridades civis, benfeitores etc. Poderiam ser designadas com o título “cartas passivas”, para diferenciar das “cartas ativas”, que seriam aquelas escritas pelo próprio Fundador; entretanto, para melhor compreensão do tema deste livro, preferimos o título “São Marcelino Champagnat: cartas recebidas”.

São documentos importantes como fonte complementar de pesquisa sobre o santo Fundador. Permitem-nos delinear a pessoa de Marcelino Champagnat por meio da análise de algumas situações advindas do seu normal relacionamento com as pessoas e com o contexto social que o rodeava. As cartas abordam temas diversos, para os quais precisou  providenciar soluções. Mostram relações cordiais e elogiosas, ao lado de outras difíceis e problemáticas. Muitos destes textos recebidos são resposta de cartas enviadas pelo Fundador; não poucas vezes os textos fazem referência a cartas de Champagnat que, infelizmente, não se conservaram.

Ao imaginar Marcelino Champagnat no gesto simples de receber e de abrir cada uma destas cartas, que foram motivadas pelo tipo de atuação que ele realizava à frente dos seus Irmãos Maristas, é fácil deduzir que foi homem realista e simples, esclarecido e compreensivo. Diante das inúmeras solicitações que recebia para a abertura de escolas, fica evidente o seu entusiasmo e audácia; em face das indecisões e incompreensões de alguns dos seus superiores, percebe-se que sofre e que se preocupa, ele que em tudo procurava fazer a vontade de Deus. É desse modo que as “cartas recebidas” podem ajudar-nos a delinear o seu retrato, confirmando-nos na convicção de ser muito humano, muito próximo de nós, imitável, revestido da santidade que provém do cotidiano simples, assumido em espírito de fé.

Fizemos a coleta de todas as cartas endereçadas a Marcelino Champagnat e as apresentamos aqui, em ordem cronológica. Para servirem no aprofundamento dos estudos sobre o Fundador, optamos por publicá-las em duas colunas: a versão original em francês e a tradução portuguesa. O texto francês foi retirado diretamente dos manuscritos originais, que estão guardados nos Arquivos da Casa Geral dos Irmãos Maristas, em Roma. A tradução para o português é obra dedicada do Irmão Virgílio J. Balestro a quem se deve atribuir grande mérito neste trabalho.

A idéia de realizar esta publicação veio-me em 1993, quando participei do primeiro curso sobre o Patrimônio Espiritual Marista, em Roma. Na ocasião, orientado pelo Irmão Aureliano Brambila, diretor do CEPAM (Centro de Estudos sobre o Patrimônio Marista – México), realizei como trabalho de monografia a coleta de todos estes textos no seu original francês. A sua divulgação, agora, está enriquecida com a tradução e com o comentário para cada carta, facilitando a sua compreensão dentro do contexto histórico. Tivemos em mente contribuir com nova fonte de estudos sobre São Marcelino, pensando especialmente nas casas de formação à vida religiosa marista e nos centros de pesquisa sobre o Fundador. Para tanto, além da lisura do texto português, fruto da esmerada tradução, mantivemos, em paralelo, o original francês, para possibilitar aos que compreendem a língua congregacional, abarcarem melhor os temas abordados.

Reverta tudo para a maior glória de Deus, que é admirável nos seus santos.

Florianópolis, 6 de junho de 2001, festa de S. Marcelino Champagnat.
Ir. Ivo Antônio Strobino


ESCLARECIMENTOS INICIAIS

Para o bom entendimento desta publicação julgamos oportuno informar o leitor sobre algumas peculiaridades do trabalho.

1. Os manuscritos originais, em francês

A maioria dos manuscritos está em bom estado de conservação e permite facilidade de manuseio. A caligrafia, entretanto, é muito diferenciada de um texto para outro quanto à apresentação e legibilidade. São incontáveis os erros de ortografia e gramática. Exceto algumas cartas provenientes de autoridades ou de pessoas mais cultas, os textos apresentam o estilo popular próprio da época e da região lionesa: linguagem continuada, falta de pontuação, ausência de parágrafos, inexistência de maiúsculas ou uso ilógico delas, emprego da forma ultrapassada dos verbos no tempo imperfeito (il avoit em vez de il avait, por exemplo), demasiadas abreviações etc.
Na transcrição do texto francês tomamos a opção de apresentá-lo de forma legível e simples; portanto, respeitando e transcrevendo todas as palavras de cada manuscrito, permitimo-nos inserir pontuação, maiúsculas e acentos, segundo a interpretação que nos pareceu a mais exata. As palavras abreviadas foram escritas por inteiro e a forma em desuso dos verbos foi corrigida. Mesmo assim, por vezes, para respeitar o texto, certas frases e expressões permanecem escritas de forma incorreta. Dividimos o texto em mais parágrafos do que consta nos originais, para permitir o destaque da tradução em trechos paralelos.

2. A tradução para o português

Embora o tom das cartas resulte mais formal, optamos pelo emprego do pronome pessoal vós, em vez de você ou senhor, por nos parecer o mais adequado e fiel ao estilo das cartas daquela época.
Quanto ao nome de pessoas e de localidades, ficaram com a grafia original,  isto é, não foram traduzidos (Jean-Claude e não João Cláudio; Laurent em vez de Lourenço etc) , exceto quando se trata de topônimos já consagrados em português, por exemplo: Bordéus em vez de Bordeaux, Lião e não Lyon etc.
O termo Monsieur, no texto francês, designa pessoas leigas ou sacerdotes, indistintamente. Ficou traduzido por senhor no caso de autoridades civis e pessoas leigas e por padre quando se refere a membros do clero.
Algumas expressões latinas que aparecem nos documentos, reportam-se ao jargão eclesiástico da época, não coincidindo necessariamente com o latim clássico. Quando é o caso, estão corrigidas nas notas de rodapé.

3. As divisões administrativas da França

Elas diferem do modo como conhecemos a divisão territorial brasileira; por isso a tradução dos termos poderá gerar certa dificuldade de compreensão. Vejamos como é na França.

  1. Departement. São as unidades geográficas em que a França está dividida. Cada Departement é administrado por um Préfet. Cidade que tenha Préfecture é, pois, capital de Departement.
  2. Arrondissement. São divisões do Departement. Às vezes o termo é substituído pelo seu equivalente district. Cada Arrondissement é administrado por um Sous-Préfet. Cidade com Sous-Préfecture é, pois, capital de Arrondissement ou de District.
  3. Canton. São subdivisões do Arrondissement; delimitam zonas eleitorais ou judiciárias, mas não possuem órgão administrativo próprio. Têm o nome da sede, isto é, do Chef-lieu du Canton.
  4. Commune. Menor unidade administrativa francesa. É regida pelo Maire. Cidade que tem Mairie é ville ou village.
  5. Hameau. Agrupamento de casas, que não comporta Mairie.

Usaremos os seguintes vocábulos para a tradução destes termos franceses:

Departement = departamento     
Arrondissement  = distrito                      
Canton  = cantão                                                                       
Commune = comuna, município
Ville = cidade
Village = vila
Hammeau = localidade, vilarejo
Préfet = prefeito departamental
Sous-Préfet = subprefeito departamental
Préfecture = sede administrativa do departamento
Maire = prefeito municipal
Mairie = prefeitura da comuna (município)
Chef-lieu = capital, sede (do cantão)

Dois exemplos de localização geográfica no tempo de Marcelino Champagnat:

ROSEY: localidade pertencente à comuna de Marlhes, cantão de Saint-Genest-Malifaux,  distrito de Saint-Etienne,  departamento do Loire.
HERMITAGE: localidade pertencente à comuna de Saint-Martin-en-Coallieux,  cantão de Saint-Chamond, distrito de Saint-Etienne,  departamento do Loire.

4. Proveniência das cartas

Das cartas que o Pe. Champagnat recebeu, 153 são provenientes de sacerdotes, 22 de Irmãos, 21 de leigos e 17 de bispos. Entre as pessoas leigas há apenas uma mulher, a sra. Ranvier, que escreveu duas vezes ao Fundador. Todas as cartas dos Irmãos são de proveniência marista, com exceção de duas: uma do Superior Geral dos Irmãos Lassalistas e outra de um Irmão da Instrução Cristã de Valence. Daquelas escritas por sacerdotes, o realce pode ser feito para as cartas de 10 padres maristas, que lhe escrevem na qualidade de colegas ou, no caso do Pe. Colin, na qualidade também de Superior.  Quase todas as outras cartas de sacerdotes são de párocos que solicitam Irmãos, para a abertura de escola marista, ou que negociam com o Pe. Champagnat o pagamento dos encargos assumidos com a instalação da escola. Aqueles que mais remeteram cartas ao Fundador foram: Pe. Jean-Claude Colin (44 vezes), Mons. Simon Cattet (14 vezes); Pe. Jean-Baptiste Pompallier (10 vezes) e Pe. Ferréol Douillet (8 vezes).

5. O código dos documentos

Cada documento traz um código que indica a fonte de onde foi copiado. Os originais destas cartas, conservados nos Arquivos dos Irmãos Maristas, em Roma, são assinalados com o código AFM 121.xx até AFM 129.xx e também com AFM 48 Lettres. Abrangem a maioria dos documentos: 195 do total de 214. Outros textos originais estão conservados nos Arquivos dos Padres Maristas, também em Roma, identificados com APM ou OM.  Colocamos o código identificador de cada documento no início dos comentários, ao lado do número seqüencial da carta.

6. Correlação com as “cartas ativas”

É fácil deduzir que as “cartas recebidas”, muitas delas, são resposta a cartas que o Pe. Champagnat havia enviado antes ou, então, são textos que provocaram alguma  carta-resposta do Fundador. As cartas escritas pelo Fundador são as “cartas ativas”; por sua vez, as cartas recebidas pelo Fundador são as “cartas passivas”. Ao comentar os textos compilados neste livro, faremos, com freqüência, a correlação entre as “cartas ativas”, indicadas com a sigla (Lettres, doc. -- ) e as “cartas passivas”, indicadas com a sigla: (Carta nº -- ).

7. Comentários, notas explicativas e bibliografia

Os comentários e explicações foram elaborados a partir das apostilas e informações recebidas no Curso Patrimônio Espiritual Marista, realizado em 1993, em Roma; também resultam da consulta à seguinte bibliografia:

    • ORIGINES MARISTES, 4 volumes, dos padres Jean Coste e G. Lessard, S.M., edição de 1960, Cúria Geral dos Padres maristas, Roma.
    • LETTRES de MARCELIN CHAMPAGNAT, volume 1, compilação do Ir. Paul Sester, fms, edição de 1985, Casa Geral dos Irmãos Maristas, Roma.
    • LETTRES de MARCELIN CHAMPAGNAT, REPERTOIRES, volume 2, dos Irmãos Paul Sester e Raymond Borne, fms, edição de 1987, Casa Geral dos Irmãos Maristas, Roma.
    • ANNALES DE L’INSTITUT, 3 volumes, do Irmão Avit, fms, edição de 1993, publicação da Casa Geral dos Irmãos Maristas, Roma.
    • TRAS LAS HUELLAS DE MARCELINO CHAMPAGNAT, coletânea dos artigos do Ir. Pierri Zind, fms, com anexos sobre o contexto histórico, religioso e educativo da época, elaborados pelo Ir. Agustín Carazo, fms, edição de 1999, publicado pela Província Marista do Chile.
    • CARTAS DE  MARCELINO CHAMPAGNAT, edição brasileira coordenada pelo SIMAR, 1997, publicação das edições Loyola.
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