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Ano de Espiritualidade Marista
07/10/2007 - 07/10/2008
 
Objetivos | O que é o Ano de Espiritualidade
 
Carta do Ir. Seán, Superior Geral
 

Br. Seán SammonCaros irmãos e colaboradores leigos maristas,

No domingo 7 de outubro de 2007 nosso Instituto iniciou um ano de longa peregrinação espiritual. Ao mesmo tempo que ela significa uma ajuda para cada um de nós, para que aprofundemos ainda mais a nossa espiritualidade apostólica marista, os próximos 12 meses serão importantes como tempo de renovação para todos aqueles que se sentiram tocados pelo carisma oferecido à Igreja através de Marcelino Champagnat e em geral ao nosso Instituto. Eu escrevo esta manhã sobre o Ano de Espiritualidade, desejando falar-lhes sobre informações que vocês já receberam ou que já apareceram na página do nosso Instituto na internet durante as últimas semanas.

Muitos de nós, e durante um longo tempo, cultivaram e aprofundaram alguns aspectos mais importantes da vida, onde seguramente está a espiritualidade. Consequentemente nós prometemos a nós mesmos que rezaríamos com mais regularidade, que dedicaríamos alguns dias a cada ano para fazermos um retiro, além de algumas decisões para estarmos mais disponíveis àquelas pessoas que mais precisarem de nosso respeito, de nossos talentos e serviços. Tentando fazer aquilo que fosse possível, muitos de nós, no entanto, perderam um pouco o próprio sentido. Ao mesmo tempo que não há uma solução pronta para o nosso dilema, desejamos que a peregrinação de 12 meses que acabamos de iniciar nos proporcione os meios de nos ajudamos mutuamente a dar um passo adiante.

Nós iniciamos este Ano Marista de Espiritualidade com vários objetivos em mente. O primeiro e mais importante é que nos propomos a incrementar ainda mais o apelo principal de nosso 20º Capítulo geral, isto é, tornar Jesus o centro e o entusiasmo de nossas vidas. Estas palavras desafiadoras dominam os corações e cativam a imaginação daqueles que participaram do Capítulo e que a partir dele puderam transmitir o mesmo aos outros. No próximo ano ofereceremos a oportunidade para que encontremos os meios mais efetivos para transformar em realidade na vida de cada um de nós este principal apelo de nosso último Capítulo.

Em segundo lugar, o Ano Marista de Espiritualidade representa um auxílio para que compreendamos mais profundamente o que significa quando dizemos que a nossa espiritualidade é mariana e apostólica. Com essa consciência podemos estimular os outros para que venham apreciar este tesouro que é o nosso. Maria viveu e sofreu simplesmente, como todos nós, na escura noite da fé. Como uma filha desta terra, ela teve entusiasmos humanos, alegrias e todos os envolvimentos que são os nossos atualmente. Quem é esta notável mulher de fé – aquela que Marcelino chamava de Boa Mãe e a nomeou nossa primeira Superiora – para aqueles como nós, que vivem o início do terceiro milênio, e, ainda mais importante, como ela está evidentemente presente em nossa espiritualidade?

Desta maneira também devemos aprofundar nossa compreensão e valorizar a natureza apostólica de nossa espiritualidade. Muitas das práticas religiosas que marcam a Igreja e a vida religiosa de hoje encontram sua origem na vida monástica. O que uma genuína espiritualidade apostólica pode ter a ver com ela? Temos a coragem de vivê-la?

Em terceiro lugar, os próximos 12 meses nos darão o tempo suficiente para assumirmos em nós mesmos a espiritualidade que está no coração do texto Água que brota da rocha. Se esta espiritualidade é para ser vivida realmente na sua e na minha vida, nós devemos estudar o texto cuidadosamente, partilhar com os outros nossas idéias e experiências, e eventualmente nos transformar em exemplos vivos aquilo que vemos escrito.

Finalmente, este tempo de graça para o nosso Instituto deverá nos proporcionar também uma oportunidade de organizarmos e iniciarmos processos formativos no campo da espiritualidade, que continuaremos além deste ano. Estudos sistemáticos da nova publicação de Água que brota da rocha são, seguramente, os passos dados nesta direção. Mas, precisamos nos esforçar para que este ano que temos pela frente seja mais do que um passatempo. Precisamos dar os passos para fazer com que o Ano Marista de Espiritualidade seja um tempo de grande aproveitamento para nós e para a Igreja em geral.

Um ano de espiritualidade unicamente marista. Para quem? Sobre o quê?

Os irmãos maristas e os leigos maristas, além de todos aqueles que queiram aprender mais sobre os fundamentos de nossa tradição marista, todos estes são convidados a participar do Ano de espiritualidade que se iniciou dia 7 de outubro. É um convite amplo e sincero.

O tema destes próximos 12 meses foi tirado tanto do conteúdo como do título da recente publicação Água que brota da rocha, Fonte de vida. Nossa espiritualidade tem Jesus como sua rocha e pedra angular. Marcelino literalmente talhou da rocha alguns dos primeiros elementos com os quais ele construiu nosso Instituto e sua missão. Para dar um exemplo, ele transformou as pedras, que talhou da rocha do Gier, no Hermitage. Esta estrutura continua muito querida até hoje, como uma lembrança de sua fé e de seu duro trabalho.

Ao empreendermos este importante ano, nós devemos também revisitar estes elementos do passado que continuam a ter valor para nós hoje. Nós temos quase dois séculos de tradição como Irmãozinhos de Maria e como leigos maristas de Champagnat. Pretendemos acrescentar mais ao tesouro espiritual que é o nosso, oferecendo os meios para garantir que ele continue a crescer depois, quando não estivermos mais aqui.

Idéias para desenvolver o tema do Ano

A recente Assembléia da missão em Mendes, Brasil, nos ensinou muitas lições, dentre as quais está a importância de focalizar e manter a atenção sobre um único tema durante um certo período de tempo. Nos meses que antecederam esta assembléia tivemos encontros regionais através do Instituto, e nos anos vindouros existem alguns passos que devem ser feitos para prosseguir a experiência de Mendes, e desejamos que aquilo que foi gerado possa se tornar uma realidade.

Da mesma maneira, o fato de focalizarmos durante este ano que temos pela frente a nossa atenção sobre a espiritualidade apostólica marista nos lembra que nosso ministério é mais do que um trabalho, significando mais do que ter simplesmente uma ocupação. Este enfoque também nos ajudará a compreender o significado do apelo que Deus nos fez para estarmos juntos em comunidade, em uma família em particular, ou na amizade por uma pessoa. Os elementos transcendentes de nossa vida se tornam mais visíveis para nós.

Sugestões práticas

Uma pequena parte dos valores nos chegam durante a vida através de alguns sacrifícios e duros trabalhos. Para obter um grau universitário, por exemplo, devemos dedicar tempo para ler e estudar, um tempo que preferiríamos usar para outras coisas. Se quisermos ter os benefícios deste Ano Marista de Espiritualidade, devemos nos empenhar em realizar algumas práticas. Eu recomendaria quatro delas em particular: estudo e reflexão, oração individual e comunitária, diálogo e discussão, e escrever um diário.

Antes de tudo, não podemos deixar de dedicar o nosso tempo para estudo e reflexão. Como mencionei anteriormente, o documento Água que brota da rocha deve ser usado como fonte. Este texto, que tem uma apresentação atraente, é o resultado do trabalho de uma comissão internacional, que durou mais de dois anos. Este trabalho foi enriquecido por várias consultas realizadas com vários irmãos, leigos e leigas de todo o Instituto ao longo do tempo, sendo que o texto final recebeu a plena aprovação do Conselho geral. O documento é rico de conteúdo e de significado.

Podemos nos beneficiar dele, por exemplo, utilizando a estrutura geral de Água que brota da fonte para refletir sobre os elementos-chave de nossa espiritualidade. Tanto o formato, como a organização de seus sub-títulos, permitem um estudo fácil e fornece um excelente mapa para que todos possam fazer uma peregrinação através da espiritualidade do fundador. A título de ilustração, dos artigos 16 a 41 aparecem com mais evidência os seguintes temas: A presença e o amor de Deus, A verdade em Deus, O amor de Jesus e seu evangelho, À maneira de Maria, O espírito de família e A espiritualidade da simplicidade. Eles dão os nomes às principais pedras que guiam a fé de Marcelino. Para acompanhá-lo nesta caminhada, devemos ter tempo para ler e rezar cada uma das seções.

Existem várias outras fontes às quais podemos dar atenção. Os documentos dos Capítulos gerais de há alguns anos, imediatamente depois do concílio Vaticano II, oferecem um inestimável conjunto de textos para estudo e oração. Também algumas circulares escritas a respeito de nossa espiritualidade apostólica marista e outros aspectos de nossa vida de fé. Durante o Ano de espiritualidade será divulgada uma circular sobre Maria, e, além disso, não devemos esquecer a Palavra de Deus que nos é oferecida diariamente pela Igreja na liturgia da missa. Dedicando um tempo a cada dia para estudar e rezar com as primeiras leituras e o texto do evangelho, isto dará grandes frutos.

Em segundo lugar, a oração pessoal e comunitária será a pedra angular na construção deste ano. Se você abandonou o hábito de rezar regularmente, os próximos 12 meses lhe proporcionarão um tempo excelente de mudar esta situação para melhor, iniciando aos poucos e deixando que o Senhor o guie. Se, por outro lado, a oração comunitária se tornou uma rotina, algo que se faz às pressas entre duas atividades, introduza alguma criatividade na sua estrutura geral e faça com que as pausas naturais possam integrar o tempo de oração que se faz em comum. Deve-se considerar uma mudança de local onde se faz a oração. Por exemplo, se você participa de uma escola comunitária, considere a oração que se faz em comum na própria escola e convide outras pessoas para que se juntem a você, tais como dirigentes, professores, estudantes e seus pais. Faça da comunidade de oração algo dinânico, ao invés de um simples exercício com a obrigação de ser realizado.

Em terceiro lugar, estruture os tempos e organize as circunstâncias deste ano, durante o qual você pode partilhar algo de sua própria caminhada de fé com quem você vive ou trabalha. Utilizando um capítulo de Água que brota da rocha pode realizar essa tarefa. Em outras ocasiões você pode fazer uma pequena apresentação em sua oração comum, e assim os outros participantes poderão também partilhar alguma coisa da experiencia que fazem de Deus. Pense em reintroduzir os dias de retiro comunitário, se esta prática foi abandonada. Utilize algum tempo durante seu retiro anual para partilhar com os outros sobre a sua vida de fé.

Finalmente, escrever regularmente um diário pode encorajar o crescimento na vida espiritual. É necessário que seja um pouco mais do que algumas linhas, registrando no final do dia uma resposta a esta questão: «Onde estava o Senhor em minha vida hoje? Em quais pessoas, quais acontecimentos, através de quais circunstâncias ele se fez presente?». Em outras ocasiões, você pode preferir utilizar mais tempo para escrever a respeito dos desafios que você enfrenta em sua vida de fé atualmente, ou registrando uma conversa que teve com o Senhor, com Maria ou algum santo pelo qual tem uma especial devoção. Relendo todas estas coisas de vez em quando pode ajudá-lo a compreender melhor onde o Senhor está presente no seu íntimo e através de você.

De modo particular, o Ano de espiritualidade que iniciamos no dia 7 de outubro é uma excelente maneira de preparar para o nosso próximo 21º Capítulo geral, o último antes de celebrarmos o nosso bi-centenário, em 2017. Rezemos para que estes 12 próximos meses sirvam para nos lembrar o significado de sermos irmãos e irmãs que irradiam esperança, convencidos da presença ativa do Espírito entre nós e chamados a sermos co-criadores de um mundo novo e melhor.

Rezemos também para que aprendamos a ouvir, pois assim poderemos desenvolver um coração capaz de discernir a vontade de Deus. E, finalmente, rezemos para que nos tornemos irmãs e irmãos que não têm medo de ser audaciosos, intrépidos e marcados por um evidente entusiasmo pela vida e pela Boa Nova de Jesus Cristo. Isto nos tornará aptos a proclamar Jesus e sua Boa Nova com os corações inflamados.

Com as bênçãos e a afeição de

Ir. Seán D. Sammon, FMS
Superior geral

15 de outubro de 2007

 
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