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Leigos Maristas
 
Testemunho de vida de leigo marista
Dimitri Kostas
 
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Província Marista de L’Hermitage - Patissia - Grèce
 
Há 21 anos sou professor de letras no Liceu Léonin de Patissia, um dos dois colégios maristas de Atenas. Conheci os irmãos quando tinha 11 anos de idade, no colégio. Conheci a disciplina que reinava nas aulas e também o valor que era dado ao amor ao trabalho, à modéstia, ao respeito aos outros, à devoção à Santíssima Virgem, à fé em Deus e ao amor ao próximo.

Durante os anos em que fui aluno do colégio, e em seguida no liceu, fui tomando consciência de minha vocação. Queria exercer uma atividade que me permitisse de ser útil à humanidade. Por isso renunciei em prosseguir com a empresa que era dirigida pelo meu pai e, no último ano do curso secundário, optei em seguir a formação em vista de me tornar professor de língua e literatura. Não porque gostasse do grego antigo, de história ou de latim, mas principalmente porque pensava que através das ciências humanas eu teria a possibilidade de estar com as crianças e com os jovens, para transmitir-lhes os valores autênticos.

Depois de terminados os estudos universitários e o serviço militar, pude realizar o meu sonho e ser professor no colégio onde eu mesmo havia concluído meus estudos secundários seis anos antes.

Paralelamente a meus deveres de professor, os irmãos me solicitaram para dar uma ajuda como diretor de estudos do colégio, pois o Ir. Matthieu já estava desempenhando outro apostolado com os jovens marginalizados. Desta maneira, permaneci mais de dez anos como diretor de estudos do colégio, até que em 2004 os irmãos me confiaram a direção da escola.

Olhando para todos estes anos passados na escola, sinto uma grande satisfação por todas as oportunidades que me foram oferecidas. Os irmãos me deram a possibilidade de realizar meu sonho, isto é, aquele de viver ao lado dos jovens, para lhes ajudar a serem bons cristãos e cidadãos virtuosos, em benefício da sociedade.

Muitas vezes, em minhas aulas eu tive a oportunidade de discutir com os jovens sobre os problemas sociais e espirituais do nosso tempo e de lhes falar dos autênticos valores humanos. A reação dos alunos é um testemunho de que a nossa ação consegue dar seus frutos e que pode mais ou menos alcançar os objetivos que nos propomos.

Como diretor de estudos do colégio eu tive muitas ocasiões e tempo para estar ao lado dos jovens, para me comunicar com eles, para lhes falar, acompanhá-los e assessorá-los. Isto me permitiu de conhecer melhor os alunos, sobretudo os mais problemáticos ou indisciplinados, de escutá-los, de ajudá-los e de orientá-los, aplicando com eles a pedagogia da presença.

Atualmente, como diretor geral da escola, disponho de pouco tempo para estar com os jovens. Leciono apenas seis horas por semana. Por outro lado, dedico a maior parte de meu tempo em reuniões e encontros, discutindo a respeito de temas e assuntos dos mais diversos. O volume de trabalho aumentou consideravelmente. Neste cargo, muitas vezes nos chegam mais problemas do que boas notícias, mas procuro oferecer estes momentos a Deus, pois sei que tudo isto faz parte do plano que o Criador tem reservado para mim, ou seja, faz parte de minha vocação. Conduzido por seu amor e consciente de minhas fraquezas e meus erros, procuro dedicar todo o meu tempo, toda a minha vida e tudo o que faço à missão que ele me confiou.

Sou consciente de que, seja qual for o meu futuro, seja qual for o lugar onde necessitarem meus serviços, meu objetivo continuará sempre o mesmo, isto é, dedicar minha vida a serviço dos outros e realizar o meu sonho, que é o mesmo de Champagnat.

Ao longo desses anos na escola eu conheci de perto os irmãos maristas, sua vida e sua maneira de pensar. Sua vida consagrada à missão, seu esforço contínuo voltado para a educação das crianças, sua humildade, sua fé em Deus e sua devoção à Virgem, tudo isto que faz deles um modelo a ser seguido e que influenciaram radicalmente minha vida e minha maneira de pensar.

No Ir. Matthieu eu vi o irmão que se interessa não apenas por seus alunos, mas também por outros jovens que vivem marginalizados na sociedade. Admirei sua coragem e sua fé, o seu ânimo para ir ao encontro desses jovens, de ultrapassar e vencer os obstáculos e de ajudá-los concretamente em suas vidas.

Ao longo dos anos na escola eu pude acompanhar de perto a abertura dos irmãos em relação aos leigos, seus esforços para tornar conhecido o sonho de Champagnat e para integrar os leigos em sua missão. Assim eu pude conhecer Marcelino e criar, com outros jovens, uma fraternidade Champagnat, onde vivo momentos de vida comunitária, compartilhando idéias e rezando juntos.

Marcelino é para mim um modelo de pedagogo e daquele que crê. De pedagogo, porque amava e queria muito bem às crianças e trabalhava assiduamente para ajudá-las e guiá-las através do bom caminho, estando sempre disponível ao lado delas. É daqueles que creem, porque tinha uma grande confiança em Deus e uma grande devoção à Santíssima Virgem. Tinha a certeza que sua obra iria em frente, porque Deus assim o queria. Além disso, tinha o desejo ardente de transmitir o Evangelho aos jovens.

São suas estas palavras:
«Para bem educar as crianças, deve amá-las.»
«Se se tratasse apenas de ensinar as ciências humanas às crianças, os irmãos não seriam necessários. Se pretendêssemos apenas dar-lhes a instrução religiosa, nos contentaríamos em ser simples catequistas. Mas o que nós queremos é educar as crianças, transmitindo-lhes as virtudes do cristão e do bom cidadão. Para consegui-lo devemos viver no meio das crianças, e elas devem estar muito tempo conosco.»


Ao longo dos anos eu comprovei que um leigo pode realmente ajudar os irmãos em sua missão, ser um colaborador deles, inclusive ser um coirmão em seu apostolado em meio aos jovens.

A princípio estava convencido que um leigo nunca poderia igualar um irmão marista e, às vezes, dentro de mim pensava – se me é permitida uma comparação – que o melhor dos leigos corresponderia ao último dos irmãos, pois estes, de qualquer maneira, tinham consagrado inteiramente sua vida ao Senhor.

Hoje posso afirmar que cada um de nós, irmãos ou leigos, é chamado a uma missão, ou seja, é chamado a realizar o sonho de Marcelino. Cada um deve vencer os diversos obstáculos que se apresentam e carregar sua própria cruz. Somente Deus conhece o peso da cruz de cada um.

Os leigos se constituem uma nova força, tanto para a missão marista como para a realização do sonho de Champagnat. Trata-se de uma ocasião única que não devemos desperdiçar. Devemos encontrar os meios necessários para fortalecer a presença dos leigos e tirar proveito de sua força. Uma força que deverá funcionar em harmonia com a dos irmãos.

Sob a proteção da Virgem e com a ajuda de são Marcelino poderemos, todos juntos, continuar sua obra.

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Dimitri Kostas, Patissia, Grécia
Província Marista de L’Hermitage
 
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